Juventude Negra

E a gente rimando remando contra a maré, a sós
cavoucando vulcões, por debaixo de nossas lágrimas
há rebeldes erupções, guerrilhando ardentes em nossa voz

Desbravando situação braba, e nós viramos um
uma vivência
um sorriso vira um pé-de-cabra, arrombamos de nosso rosto
a máscara branca do silêncio
aqui ninguém se policia, se negricia em potência

De orgulho, de hobbies, encontrar num solapo
ancestrais, vira papo, tão brasa, tão rente
desenterramos fogueiras no eu da gente
parindo estrelas pelos olhos, entre os nossos, só sorrir
Em volta murmúrios e revolta
uma ideia sem volta de resistir, resistir, resistir

Autoestima vira enxada, cavamos sete palmos
adentro da alma, rostos negros calmos
renasce na face perseverança, e com essa enxada enchemos
de orgulho e arrogância um coração
afogado, não de todo, quase abatido pelo racismo-lodo

Inundamos de ginga os nossos, inspirados pelos griots
os sábios espalhados pelo mundo
nos bailes nos sambas os carnudos lábios
namoram os lábios carnudos, juventude marruda que posa
porque vergonha já não cabe, livro vira chave luminosa

A gente abre o baú do esquecimento, desejo de sonhar e viver
destrancando nosso eu detento, do mundo do não ser
e o princípio sem piada
é que racistas, não arrumam mais nada

Juventude negra de atitude
estudando, é ficar ligeiro com a rota
que nos quer faz uma cota
depois é ir pra briga, lutar pela liberdade
o que fizemos por Serra da Barriga
o dobro façamos por nossa comunidade

Se não rola,relaxa marcha e siga
façamos de nosso coração
um quilombo uma nação
uma Serra da Barriga